Geralmente em fins de ano, época de férias e tal, pelo menos uma semana eu tiro pra passar na minha terra com minha família, já que quase nunca vou pra lá. E muitos outros parentes fazem a mesma coisa. Mesmo que não sejam todos, são muitos, de verdade. Meu pai teve treze irmãos, minha mãe quatro, e daí saiu um enorme desdobramento de tios e primos de todos os graus possíveis.

A maioria desses tios eu vejo só uma vez por ano. O tempo passa, mas eles têm uma série de peguntas que são sempre as mesmas. E cada um faz as mesmas perguntas em um momento diferente. Não sei se eles se esquecem das respostas que tiveram da última vez, se só perguntam pra ter conversa e nem ouvem as respostas, ou se eles acham que minha vida é uma merda e realmente esperam muito que isso mude a cada ano.
Imagino que na cabeça deles passe algo do tipo: “Caralho, só sobrou eu e esse moleque na sala, preciso puxar alguma conversa, rápido!”.
– Você fez faculdade de que mesmo?
– E lá em São Paulo, você almoça na firma?
– E tem alguém que vai limpar o apartamento pra vocês?
– Você cozinha lá?
– É na TIM que você trabalha né?
– Que dia você vai embora?
Não que eu não goste de conversar com eles. Existem outros assuntos mais maduros, mas uma hora ou outra essa série de perguntas sempre aparece. É como quando abrimos uma encomenda e depois nos sentimos na obrigação de não deixar o plástico-bolha da embalagem ileso, ao menos uma ou outra bolha a gente sempre estoura. No caso, para eles eu sou o plástico-bolha, e as perguntas são o ato de estourar.
Não dá pra me ver e não colocar em pauta as perguntas padrão. É inevitável. Assim como é inevitável o meu sorriso amarelo ao responder novamente à cada uma dessas perguntas.
E essa é uma das tradições dos meus fins de ano, assim como assistir à “Esqueceram de Mim” na Sessão da Tarde e perder sangue pelo nariz por excesso de calor.




Seus tios têm email? Vou divulgar teu blog para eles! Lazarentos!!!
… e qual foi tua resposta para “Você cozinha lá?”
Para você eu digo que não costumo, mas se eu cozinho eu como!
Ah rapaz, alguns até devem ter email, mas não sei se é algo que eles usam…
Sim são as mesmas perguntas, mas as vezes sendo mulher, você pode ter conquistado o mundo, mas a pergunta que sempre impacta é, e os namorados?
Eu ri com a pergunta do
– E lá em São Paulo, você almoça na firma?
Nunca escutei essa
Ahh, assistir a Esqueceram de Mim no fim do ano!! Aí sim!
De resto, me identifiquei bastante, pois eu tb sempre escuto as mesmas perguntas… Da minha família, só a clássica “E as namoradas?”. Do resto do mundo, as outras clássicas “Mas vc não come nem frango? Nem peixe? E como vc faz com a proteína?”.
Entre outras…
Ah sim, e, mais recentemente, “Nossa, mas vc não toma leite nem come ovo, vc é muito radical…”.
No geral, levo numa boa essas perguntas todas, mas confesso que, no fundo, eu fico puto de ter que respondê-las toda vez. Até pq eu nem sempre tenho as respostas. Tem coisa que simplesmente é do jeito que é. Não tem como eu ficar justificando tudo. Não nascemos para ficar justificando tudo o que fazemos, mas às vezes parece que as pessoas esperam isso da gente, ao menos quando fazemos alguma coisa diferente do comum.
Não sei como vc é com relação a isso, mas, pelo post, me pareceu que vc não se incomoda tanto de dar a mesma resposta todo ano. Se for esse o caso, parabéns pela paciência!
Pois é… tem que prezar pela boa convivência né… hehe…
Mas acho que o que causa mais desconforto, não com minha família, e sim com o geral, é o fato de eu nunca ter comido nada do McDonald’s. Isso gera uma série de questionamentos infindáveis. Acho que até vale um post…